Nem só de jogos de tabuleiro vive a ideia de usar jogos na educação. Há um outro estilo de jogo que se encaixa muito bem na hora de usar o lúdico em sala de aula. Se pensou em RPG, você está de parabéns. Se não, me segue que te explico direitinho.
RPG: Uma pequena sigla que pode significar uma infinidade de ideias e objetos. Duvida? Já que está na internet, aproveite e faça uma busca sobre essas três letras e você encontrará:
1) O Rocket-Propelled Granades ou Ruchnoy Protivotankovye Granatomyot. Um lançador de granadas com grande poder destrutivo usado como armamento antitanque.
2) A Report Program Genaration. Uma linguagem de programação de alto nível usada criar aplicativos de negócios comerciais.
3) A Reeducação da Postura Global. Uma metodologia fisioterápica que tem como objetivo prevenir e remediar problemas na coluna.
4) O Role-Playing Game. Um jogo de interpretação criado no início da década de 1970 a partir de jogos de simulação de guerras.
Com todas as informações na mesa, é claro que só podemos concluir que o RPG usado na educação é a Reeducação da Postura Global e… Não! Esquece tudo. Pode imaginar usar esse tipo de RPG em uma aula de geografia ou história? Eu não consigo, mas aqui cabe uma causo peculiar.
Meu trabalho de conclusão de curso teve um nome pomposo: “RPG COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM”. Antes de entrar na graduação já tinha decidido sobre o que iria escrever e o texto final estava quase pronto um semestre antes do início do TCC. Mas quando a orientadora viu o título e comentou: “estou curiosa para ver como a fisioterapia pode ser usada para ensinar história” foi como se ela tivesse dito “perdeu, playboy!”. Eu, com uma década e meia de XP com RPG, nunca poderia imaginar outra coisa fora o Jogo de Interpretação de Papéis (Fato: Em Portugal o RPG é cohnecido como JIP). Então percebi que o RPG poderia ter inúmeros significados. E que precisava explicar melhor. Muita gente ainda não conhece o bom e velho JIP.
Para quem não conhece, Roleplaying Game é um jogo cooperativo em que uma história será contada. Parte dos jogadores assumem os papéis de personagens e um o papel de narrador. Os Jogadores (assim mesmo, com jota maiúsculo) são os protagonistas da história a ser contada enquanto o Narrador (exato, também com ene maiúsculo) conduz a narrativa e serve de árbitro das regras.
O RPG é ao mesmo tempo um jogo de imaginação e de regras. Uma analogia muito válida é a do teatro de improviso, onde os Jogadores são os atores e o Narrador é o diretor, roteirista, cenógrafo, compositor, iluminista, além de desempenhar a função de todos os personagens coadjuvantes, secundários e figurantes. Não é uma tarefa das mais fáceis. Os jogadores (agora com jota minúsculo, porque inclui todos) vão criar conjuntamente uma história que não tem roteiro definido, sendo conduzido somente pela imaginação dos participantes.
Após tanta explicação, vamos ao fato: Para usar RPG é preciso conhecer RPG. Você não pode dar uma boa aula de literatura se nunca leu um romance, não pode dar aula de biologia se não sebe o que é um escorpião (não é fake news) portanto, não pode usar RPG em classe se nunca jogou ou narrou um. Então o primeiro passo é jogar.
Pode parecer um balde de água fria para quem não conhece sobre o jogo, mas não é. Pense nisso como um incentivo para adquirir novos conhecimentos. Busque um RPG que te agrade, forme um grupo de jogo (melhor ainda se for com outros professores interessados) e jogue, mas jogue muito. No começo pode parecer assustador, mas que nunca ficou com frio na barriga antes de entrar pela primeira vez em usa sala de aula como docente? Assim que estiver familiarizado com o jogo, pode seguir para o próximo passo. Que será tema de outro texto, mas para ninguém ficar muto desapontado, aqui vai um spoiler:
Para a boa utilização do RPG em sala de aula siga estes passos:
Familiarize-se com o jogo.
Tenha um objetivo pedagógico.
Não dê respostas diretas.
Planeje o tempo.
Gerencie o imprevisto.
Curioso? Então não deixe de nos acompanhar.
E Vamos Jogar!