Tava faltando um artigo escrito aqui na ludopedia sobre o jogo!
Cada jogo um reino diferente! Vamos conhecer esse aqui?
Tem medo de fantasmas? Ou você está enfrentando o perigo e assustando seus oponentes? FEAR é um jogo de gerenciamento de mão rápido e direto de perseguições de fantasmas cheios de tensão.
Apesar dessa descrição, e dos fantasmas não casarem plenamente com o feeling que o jogo passa, (o tema não é incorporado a ponto de um “kina” precisar chamar um paladino ou um clérigo para partida), Fear cumpre sua cota de micro desafio matemático e pequenas tomadas de decisão, no meio de muuuuuito caos de sorte/azar nas cartas e umas continhas de padaria para tentar ferrar com a próxima jogada do oponente.
Não podemos deixar de falar que o jogo faz parte da série FF, fast foward, que fora só ter jogos com F(do designer Friedemann Friese), propõe o começo imediato pra jogar a partida, sem leitura/consulta de manual. Na verdade não há um manual, as cartas são ordenadas de 1 a 90 e poucos, e você vai jogar aprendendo como funciona, as próprias cartas te dão as informações e vão criando áreas de jogo, como descarte etc, e se falar mais pode ser considerado spoiler, pelo menos na concepção de muitos, o jogo deve ser “descoberto” a medida que vai sendo jogado.
Vamos fazer uma espécie de SPOILER PARCIAL/LINHAS GERAIS: O que pode ser dito é que você estará jogando cartas ou comprando cartas, e as jogadas ficarão numa área central, onde você estará evitando que após descer a carta, a soma de tudo presente resulte em 16 ou mais, ou seja até 15 você está na “safe zone” da matemática do jogo. Tem cartas valor 0 e algumas negativas que ajudam a evitar uma derrota óbvia, e se ao visualizar que jogar uma carta, gerará a derrota, caso não esteja com a mão cheia(limite de 3 cartas) você pode/deve comprar uma carta e passar, então em termos de FEAR, a ação de comprar não remete só a buscar novas opções, também serve pra ficar na moita, esperando que movimentem a área central, pro melhor ou pro pior.
O designer enfiou duas soluções práticas aqui pra manter o jogo rápido, o limite da mão é pequeno (como dito, 3 cartas) o que evita “guerra fria”/marasmo na matemática do jogo, já que é um rápido filler/fastplay afinal né? E outra coisa é que não há eliminação de jogador, quando alguém estoura o limite de 15, a rodada encerra, e todos revelam a mão, onde quem tiver valores mais altos, ganha aquela rodada. Isso parece uma bobagem ou detalhe de design, mas é o que movimenta o jogo, pois você quer cartas altas para assegurar sua vitória, porém se estiverem altas demais, podem gerar sua derrota na hora de descer elas e checar o limite de 15.
No que o Fear “bate forte”?
Ele consegue ser rápido e te manter atento, o caos não é pequeno não haha
e quase toda rodada tem 1-2 jogadas beeem inesperadas. As cartas têm habilidades com a dose certa de variação, e eu me comprometi a dar apenas spoiler parcial, então jogue pra descobrir. O esquema de jogar com as cartas ordenadas de 1 a 9x é só para primeira partida, depois você pode dar um shuffle e jogar full random, onde o jogo brilha mais.
A melhor forma de entender o jogo acredito que seja traçando dois paralelos: uma com o blackjack/21 e outra com o Red7. Lembra 21, pois você quer estar o mais próximo possível de um valor, sem excedê-lo, sem “estourar” e lembra red 7, porque fora cartas que resolvem habilidades, há cartas que quando compradas mudam as regras gerais do jogo, com checagens bem dinâmicas, falando mais uma vez sem spoiler/ou apenas com spoiler parcial, tem cartas que deixam tudo mais fluído e com mais opções pros jogadores, e tem cartas que colocam restrição. Elas seguem a lógica highlander, só pode haver um, no caso uma delas por vez, gerando substituição à medida que vão aparecendo em jogo.
No red 7, sempre que pode, o jogador dita a mudança de regras, no fear não, é quando vem, mas ainda acho um paralelo válido, talvez por ter jogado ambos em sessões de partidas próximas uma da outra eu tenha traçado esse paralelo... caso discordem ou concordem, deixem nos comentários per favore. Um último ponto notável é que ele tem uma abordagem semi-legacy, uma emulação de legacy, ou seja lá que termo possa ser usado. Me refiro ao pool de cartas permanecer de uma rodada para outra, com algumas eliminações, que só voltarão quando você jogar até a última carta e gerar uma reembaralhada, “dando a volta” no deck. Então guardando as devidas proporções, você elimina componentes do jogo(ainda que temporariamente).
Como cada rodada dá um ponto de vitória, os jogadores podem estipular digamos que o primeiro que fizer 5 pontos ganha (porque Fear não é jogo que se jogue apenas uma rodada afinal) e como é muito rápido, talvez só use metade ou menos das cartas, então você guarda separado as cartas que já foram removidas e segue a experiência na próxima sessão com a pool que falta. Daí fora a ordem que as coisas vêm, ele consegue gerar partidas diferentes e depois aperta o reset para outras novas partidas. Recordo que testei certa vez com 2 jogadores e foram 14 ou 15 rodadas para gente virar o deck.
uma imagem que ilustra bem a divertida bagunça do jogo
No que o Fear “bate de Kina”?
Jogadores que gostam de ter rédeas sobre o que acontece no jogo e não curtem fator sorte acentuado vão bater de “kina” com certeza. O Fear é tão caótico quanto um jogo que foca em dados, mesmo sendo só de cartas. Aqui e ali, mas com certa freqüência, você pode ficar de derrota anunciada, só esperando chegar sua vez para confirmar. Basta ao passar olhar pra sua mão e ver que qualquer carta que jogar resulta em derrota, sem que nos demais turnos dos outros altere nada, aí é jogar e perder. E tem umas habilidades que bagunçam aquele seu turno tranqüilo que você planejou com certo cuidado mesmo no meio do caos, e torna-se uma derrota. Eu particularmente só endossaria essa queixa se o jogo fosse médio ou demorado. Você se F, sem ter muito o que fazer as vezes, ou melhor você se FF...
Mas as rodadas completas tendem a ser 1-2 minutos por cabeça. Digamos 3 jogadores, rodadas de 3-6 minutos, rápido assim. A questão é que rola sim certa perda de “agency”(protagonismo nas jogadas) e parece que você só está reagindo ao que acontece, ao invés de decidir algumas coisas de fato, mas não acontece de forma tão acentuada. O tema poderia ser com abacaxis, ou suricates e não faria diferença, por mim tudo bem, mas como é um jogo leve, já há uma inclinação de apresentar para iniciantes, que (sem generalizar) tendem a querer mais ligação entre tema e regras, se você não entende essa ânsia deles volte 3 casas, ou melhor, eu não critico essa reação de forma alguma. No máximo pode-se forçar a barra pra dizer que você tenta enfrentar seus medos, mas só agüenta até certo ponto (por isso o limite de 15) e vence que tiver sido mais ousado depois que alguém “morre” de medo (por isso checar as mãos por valores mais altos)
E quanto custa pra explorar esse reino?
Não tá barato, mas tá “ok” em comparação aos jogos que são só de cartas e acaba saindo 1 real, 1 real e pouco por carta, as cartas são grandes, isso conta também. Ele varia de 50 a 75,00, pelo menos no momento que estou escrevendo.
EXTRAS/ALGO+
Creio que cabe uma dica sobre os sleeves. O tamanho meio estranho de 70x110 por vezes é difícil de achar(parece que é o tamanho do Scythe). Os demais jogos da série FF, ainda não lançados no Brasil são:
Então por enquanto é isso, até o próximo reino a explorar, batendo forte, e também batendo de “kina”!
Inscrevam-se, acompanhem!!!! 