Autora: B. Côrtes
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Os encontros da JogaMana têm sido bem do jeito que imaginávamos: um pouco tímidos, é verdade, mas sempre recheados de bons jogos, boas partidas, bons sentimentos.

Por enquanto, conseguimos nos manter longe de explicanismos, distorções, subestimações, assédio, desrespeito em geral. A pauta central são os jogos, e os risos não faltam, provando que o senso de humor anda muito bem sem precisar degradar ninguém. Assim, podemos considerar que a proposta de estabelecer jogas em que a condição de ser mulher não traga preocupações nem desconfortos a nenhuma gamer está sendo cumprida com sucesso!
Jogos da Joga
Dos mais elegantes Abstratos aos mais fantasiosos Card Games, jogos diversos pra valer já passaram por nossas mesas. Parando para listar as partidas específicas dessa quinta edição da JogaMana, percebemos um único elemento comum a (quase) todos: eram publicações da famosa Galápagos Jogos! Não, não foi nada combinado, nem mesmo previsto (mas bem que podia ser, né? #aíGalápagos #patrocinanóis xD).
A coincidência rolou desapercebidamente e acabou por ser mais uma confirmação do que todos (ou todas…) temíamos já sabíamos: a editora tem mesmo um catálogo que dá conta de uma diversidade notável de perfis, ocasiões e gostos. A exceção foi o belíssimo Hive, na versão pocket, que ficou de filler para uma dupla de jogadoras, à espera de vagas para uma mesa maior.

Essa coincidência não se deve completamente ao acaso, mas a um jogo de probabilidades: em um universo crescente, mas ainda de nicho, como o dos jogos modernos de mesa, empresas maiores acabam por tomar à frente da produção, ocupando de maneira privilegiada os espaços de consumo do mercado em questão. Até o momento, nós, da JogaMana, não chegamos a fazer uma curadoria quanto aos títulos que compõem cada um de nossos encontros. No entanto, essa situação acabou gerando atenção à importância desse trabalho de seleção. Afinal, sem abrir mão da espontaneidade de jogar aquilo que nos der vontade, queremos fazer escolhas ativas, conscientes. E sabemos que um pouco de atenção já pode ajudar muito a diversificar as caixas, e valorizar a atuação das editoras que hoje disputam lugar no mundo gamer/geek a partir do trabalho de pequenos grupos, novas e novos empreendedores e uma vontade enorme de viver de jogos.
Mas vamos aos jogos, então!
Além do já mencionado Hive, foram à mesa os títulos, na ordem em que os jogamos: Gizmos, Quarriors!, Power Grid, Arte Moderna. Ficaram na fila o eterno hype Azul, também da Galápagos Jogos, e Clank!, da Conclave Editora. Ambos, cujos exemplares ali pertenciam à loja, já estavam “ocupados”, em mesas de outros visitantes do local.

O jogo Clank!, publicado pela Conclave Editora, não foi jogado por nós nesse encontro, mas ficou entre os mais pedidos
As partidas de que participei – impressões pessoais
(esta seção é um breve comentário sobre os títulos jogados, sem grandes detalhes. Para saber mais, aguarde as resenhas dos jogos em questão, em breve aqui no blog
)
Gizmos
O recém-lançado Gizmos é uma delicinha. A começar pelos componentes, que incluem lindas esferas – as famosas bolinhas coloridas – e cartas com ilustrações divertidas, o jogo é capaz de permanecer envolvente e fluido do começo ao fim. A mecânica é basicamente a gestão de mão – ou de “mesa de pesquisa”, já que estamos, na narrativa, elaborando e operando invenções para uma feira de ciências -, a partir de um painel de projetos disponíveis. A aquisição dos projetos tem um custo em recursos, que representam distintas fontes de energia.

A mana paulabassi planejando sua próxima jogada em Gizmos
A joga foi dinâmica e a pontuação final teve diferenças pequenas entre primeiro, segundo e terceiro lugar. A ação “Pesquisar” não foi usada uma vez sequer, por qualquer participante da partida. As engenhocas mais disputadas foram, é claro, aquelas cujo benefício direto eram pontos de vitória.
Compreensão rápida e fácil, partida agradável para perfis mais introspectivos e perfis mais interativos. Recomendo para abrir qualquer mesa!
Quarriors!
Sabe aquelas pessoas que vivem torcendo o nariz para jogos que envolvem rolar dados? Prazer, eu sou uma delas. Quarriors! não mudou esse desgosto pelo envolvimento de certa “sorte” nas partidas, mas posso dizer que não deixou de me agradar em algo: as diferenças entre as personagens escolhidas, isto é, os tipos de dados, deixou viva a sensação de um senso estratégico sendo acionado, mesmo sob a forte influência “dadaísta”. xD
Acho que não joguei direito. Perdi miseravelmente, como é de costume quando a @paulabassi está na mesa. Me diverti com a criatividade em tom “zoeiro nerd” das descrições e dos nomes das personagens do jogo e me deliciei com as cores e a arte dos componentes. A propósito, o formato “caixinha de presente” é irresistível. Parabéns aos envolvidos, fui seduzida facilmente.
Mas, ó, se você não gosta de dados, não recomendo, não…
Power Grid
Clássico de que sou fã. Fui a explicadora, como sempre que possível – uma das coisas do hobby que mais curto fazer -, mas dessa vez me enrolei com algumas regras – fazia um tempão que não jogava. Pois bem, nada que mudasse a máquina do jogo ou as estratégias possíveis. Avisei, é claro, a mesa, assim que vi. Todas em paz. (Como é gostoso poder errar, finalmente!).
Melhor é conseguir uma das usinas de energia limpa, putz! Que sensação boa gerar energia sem precisar penar para conseguir os recursos poluentes e caros de Power Grid!

Power Grid na mesa – olha só, que beleza!
A cada partida de PG, é possível visualizar mentalmente as cidades sendo iluminadas. Também vêm à mente – para mim, é inevitável… – os processos de geração de energia em todo o seu ciclo. Você também brisa nos temas dos jogos? Muitos deles me levam a pensar sobre universos que eu nunca adentraria, não fosse o contato com jogos que os abordam. Uma responsa e tanto para o trabalho de embasamento que cabe às/aos designers na elaboração de cada título.
Bom, Power Grid rolou de maneira envolvente, mas um pouquinho menos fluida que os outros títulos do encontro. Para quem ainda não conhece, vale a pena. Agrada a eurogamers, a amantes dos econômicos e creio até que a entusiastas de jogos com mapas e trilhas ferroviárias…
Arte Moderna
Difícil uma escolha melhor para fechar o dia. Interativíssimo, o jogo de leilão de arte recarregou as energias com muitas risadas e um banho de criatividade. Não sei muito o que dizer, só sentir.
Arte Moderna é antigo, e voltou a ser assunto com um relançamento recente, com artistas reais, do Brasil. Para uma próxima edição, eu só indicaria uma mudança: ao menos mais uma mulher entre as personagens em jogo, né? Atualmente, há apenas um nome feminino junto a quatro masculinos.