Seja um aventureiro no mundo de Celestia, navegando pelas cidades atrás de tesouros. Enfrente os perigos dessa viagem, sejam eles terríveis pássaros Damok, nuvens, raios ou piratas Lockhars. E, acima de tudo, muito cuidado com seus companheiros de viagem, pois nunca se sabe o que eles escondem na manga.
E assim começa mais uma aventura de jogos de tabuleiro através de Celestia, uma versão melhorada de Cloud 9, lançado em 1999. Da primeira versão para esta houve um aprimoramento do tema e das regras, com inserção de cartas de tesouro de valores variáveis e uma nova arte que, diga-se de passagem, é fenomenal. Felizmente, esta nova versão está disponível no Brasil, trazida pela editora Ludofy Creative.
Em Celestia, cada jogador assume a posição de um viajante, embarcando em uma aeronave que viaja por cidades celestiais para coletar tesouros incríveis pelo caminho. O objetivo é conseguir a maior pontuação possível através desses tesouros. Com exceção das últimas três das doze cidades existentes, as cartas de tesouro têm valores diferentes, proporcionando um fator sorte à caça ao tesouro. Além disso, nas quatro primeiras cidades, um dos tesouros é a luneta mágica, um artefato que vale dois pontos, mas que pode ser descartado por qualquer jogador ainda a bordo da aeronave para que o capitão supere o desafio, mesmo que não tenha capacidade para tal, ou seja, mesmo não tendo as cartas necessárias.
A cada rodada um jogador será o capitão da aeronave. Ele deve rolar a quantidade de dados mostrada na cidade a ser alcançada. Os símbolos dos dados, pássaros, relâmpagos, piratas e nuvens carregadas, representam os desafios. Para superá-los o capitão deve jogar cartas de equipamento da sua mão com os símbolos correspondentes. Mas antes dele anunciar se conseguirá, um a um, os passageiros devem dizer se confiam no capitão ou não. Aqueles que não confiarem descem da aeronave em segurança, pegando uma carta de tesouro da cidade onde estão. Passageiros que abandonaram a aeronave só poderão voltar quando a mesma sofrer um acidente e voltar para a primeira cidade. Os que confiarem esperam que o capitão consiga superar os desafios e obter tesouros de maior valor.
Na sequência, cartas de equipamento e algumas de poder podem ser jogadas, para então o capitão anunciar se derrotará o desafio. Caso ele consiga, e não sejam jogadas cartas de poder para atrapalhar, a aeronave segue viagem. O próximo jogador será o capitão e o jogo continua até que alguém falhe em um desafio.
No caso do capitão não ter cartas de equipamento suficientes, qualquer outro jogador pode jogar cartas de poder ou uma luneta mágica para ajudar. Caso não seja possível, a aeronave se acidenta e volta à primeira cidade. Antes de começar uma nova jornada, os passageiros devem contabilizar seus pontos. Caso alguém ultrapasse 50 pontos, aquele que tiver a maior pontuação é o vencedor.
As partidas são rápidas, e mesmo quem sai mais cedo não demora a voltar e ainda existe a torcida para o pessoal não conseguir cumprir o desafio! Esse é um ponto positivo do jogo, principalmente ao se jogar com crianças.
O importante em Celestia é que nem o capitão, nem os outros jogadores deem a entender que o desafio poderá ser superado. Mas não espere que isso aconteça ao jogar com crianças. Elas irão se prontificar a dizer que confiam no capitão até antes de sua vez, especialmente quando possuem cartas para ajudar a superar o desafio.
Inclusive, o que mais me chamou a atenção, foi o posicionamento das crianças de quase transformar o jogo em cooperativo. A maior alegria delas era de continuar seguindo viagem visando tesouros melhores. Não que isso significasse que não haveria um vencedor ao final.
Em uma das partidas, minhas duas filhas e uma amiga estavam jogando sozinhas. Em certo momento ouvi a contagem de pontos que já ultrapassava 150! Elas mesmas estabeleceram que a partida iria até 150 pontos para que continuassem as viagens o máximo possível. Deixar as crianças jogarem sozinhas é muito interessante, pois elas criam, alteram, aprimoram as regras com uma facilidade que os adultos em geral não se permitem. No início estávamos jogando errado. Os jogadores que permaneciam no barco também pegavam uma carta da cidade alcançada, e assim a cada rodada. Dessa forma o jogo era ainda mais rápido, pois a pontuação de 50 pontos era atingida logo. É uma opção jogar dessa forma, caso se queria acelerar a partida ao jogar com os pequenos.
Mas nem tudo são flores. Possivelmente, será necessário gerenciar os conflitos que, por ventura, venham a surgir. Cartas de poder como “Desembarque”, que força um jogador a sair da aeronave, podem não ser bem recebidas. Tenho procurado frisar sempre que o importante é se divertir ao jogar e que embora seja muito gostoso vencer, nem sempre é possível, e não devemos ficar tristes com isso. Claro que falar é muito fácil, mas ao jogarmos com crianças precisamos estar preparados para contornar todo tipo de situação.
Celestia se tornou um dos queridinhos em casa, por ser divertido, rápido, bonito, mas principalmente por proporcionar interação entre os jogadores o tempo todo.
FICHA TÉCNICA:
Game designer: AARON WEISSBLUM
De 2 a 6 jogadores
Tempo de duração: 30 minutos
Idade sugerida: de 8 anos para cima
Sem dependência de texto
Mecânicas principais: apostas, force sua sorte
Ano de lançamento: 2015 (no Brasil, 2017)
AVALIAÇÃO FINAL PARA JOGAR COM CRIANÇAS:
(5 – Muito Bom à 1 – Muito fraco)
Bom (4) - Será jogado com frequência por um tempo
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Critérios:
· Muito bom (5) – Será jogado com frequência e esperamos não mudar
· Bom (4) – Será jogado com frequência por um tempo
· Regular (3) – Será jogado esporadicamente
· Fraco (2) – Sem intenção de jogar novamente, mas poderá acontecer dado a ocasião
· Muito fraco (1) – Não será jogado novamente