Texto publicado originalmente em meu blog Images and Words em 15/10/2014.
Já fazia um tempo que eu não conseguia jogar tantas partidas num mesmo dia, como no sábado dia 27/09/14.
Começamos com a escolha da Nina: Carcassonne. Vale lembrar que Carcassone foi lançado no Brasil pela Grow. Eu nunca o vejo nas lojas de brinquedos, mas na Livraria Cultura geralmente vocês conseguem encontrar.
Carcassone é um jogo onde cada jogador na sua vez pega um “tile” e coloca ao lado de qualquer um existente na mesa. Esses “tiles” podem ter partes de campos, estradas, cidades e/ou monastério. Quando você coloca o “tile”, pode escolher colocar um de seus fazendeiros em um desses lugares. Você vai pontuando ao longo da partida e também no final em função do comprimento da estrada, do tamanho da cidade ou da quantidade de “tiles” que você tem ao redor do seu monastério. No final, quem tiver mais fazendeiros num determinado campo, ganha pontos em função da quantidade de cidades existentes.
Jogamos eu, Dora e Nina. A Nina tem um limite de paciência para jogar jogos, se a coisa começa demorar muito ela vai perdendo a vontade de jogar. Nesse jogo por exemplo, ela ficou com uma cidade enorme, mas não estava conseguindo finalizá-la, pois faltava uma combinação difícil. Eu tinha que ficar falando para ela colocar os fazendeiros, pois ela ficava guardando-os, com medo de ficar sem nenhum. No fim ela ficou em terceiro, pois várias vezes deixou de colocar os fazendeiros, e portanto deixou de fazer pontos.

Eu acabei ganhando com uma boa diferença. Procuro nesse jogo não atrapalhar nenhuma das duas, e tive que me frear de colocar os fazendeiros no campo, para obter a maioria, do contrário a diferença teria sido muito maior.

Logo no início eu coloquei no campo, e elas me seguiram e fizeram o mesmo. Mas depois nós 3 tivemos a oportunidade de colocar outros, só que essa é ainda uma estratégia que elas não se ligaram muito. Por isso no final acabamos as 3 com um fazendeiro no campo, o que não trouxe vantagem para nenhuma de nós.
Talvez, em jogos com crianças mais novas uma possibilidade é jogar sem essa pontuação, até que elas estejam mais familiarizadas com o jogo. Outra opção é sempre lembrar da possibilidade de se colocar o fazendeiro no campo, correndo o risco de influenciá-las demais no jogo. Acho que vou testar jogar com elas sem colocar os fazendeiros no campo e ver o que acontece.
O segundo jogo do dia foi o The Cook-off, criado pelo brasileiro, Luis Francisco e lançado pela Funbox. Cook-Off é um jogo muito divertido, rápido, de fácil entendimento para as crianças. Embora ele deva ser jogado a partir de 4 pessoas, não vejo problema em jogar somente em 3.

Nesse jogo, cada um escolhe representar um chef de cozinha famoso. O objetivo ao final do jogo é obter o máximo de pontos possível, cozinhando carnes e vegetais. Mas o mais legal é a possibilidade de sabotar a cozinha dos outros, estragando a comida que estava no grill ou na panela ou então jogando bichos na cozinha. São 10 rodadas ao todo. Em cada rodada, os jogadores escolhem 3 ações, que vão sendo reveladas uma a uma por todos os jogadores ao mesmo tempo. Isso é um ponto muito positivo do jogo, quando jogando com crianças. Em oposição aos jogos, onde normalmente cada um tem o seu turno, o que pode cansar a criança ao ter que esperar a sua vez.
As ações são: Pegar alimentos, preparar (ou seja, colocar uma carne ou um vegetal no grill ou na panela), cozinhar (para os vegetais é necessário cozinhar somente uma vez, e ele já fica pronto. Já a carne é preciso cozinhar uma vez, virar a carne e cozinhar uma segunda vez para ela ficar pronta), sabotar e dobrar (que você usa antes de uma ação que queria dobrar, ou seja, utilizando o preparar, será possível colocar dois alimentos, utilizando o sabotar você pode fazê-lo duas vezes e assim por diante). Para cada vegetal preparado, no fim o chef marca 2 pontos e para cada carne, 6 pontos. Caso a sua cozinha tenha sido sabotada, e a sujeira não tenha sido limpa, perde-se 1 ponto por item. Além disso, cada vez que você sabotar uma cozinha, recebe 1 ponto. E por fim, uma regra joia, que incentiva as crianças de maneira positiva, é que o chef que cozinhou mais legumes ainda ganha 3 pontos.
Jogamos duas vezes. Na primeira a Nina ganhou, pois ela caprichou nas carnes, que dão mais pontos do que os vegetais. Embora eu desconfio que ela não tenha cozinhado a carne duas vezes em algumas ocasiões. Na segunda, eu acabei ganhando. Em jogos anteriores houve mais sabotagem, principalmente por parte da Nina, que adora fazer graça. Já nesses dois jogos houve pouca sabotagem, mais da minha parte mesmo. As duas ficaram mais concentradas em fazer o máximo de comida possível, o que fez perder um pouco da graça do jogo. Jogando somente eu com elas, acabo ficando numa encruzilhada, tentando não beneficiar nenhuma das duas, e portanto tenho que sabotar uma e depois a outra.

Placar da primeira partida, Nina 46, Dora 40 e eu 36

Dedicatória mais do que especial do Luis Francisco, criador do jogo.
E para encerrar o dia de jogatina estreamos o recém adquirido, Castle Panic. Esse jogo infelizmente não tem no Brasil, mas às vezes é possível achar pessoas aqui no Brasil que tenham para venda em grupos no facebook, ou aqui na própria Ludopedia. Ou então, aproveitar alguma viagem para fora e comprar.
Castle Panic é um jogo cooperativo, onde todos jogam juntos contra o tabuleiro. Excelente tipo de jogo, pois incentiva o trabalho em grupo, onde todos devem contribuir para que se alcance o objetivo. E ao contrário dos outros jogos, onde sempre se tem um vencedor, e portanto vários perdedores, em Castle Panic ou todos vencem ou ninguém vence.
Eu, que tenho duas meninas que vivem competindo uma com a outra, e varias vezes já tive problemas de brigas porque uma ou outra perdeu o jogo, Castle Panic é uma excelente escolha para quebrar esse padrão.
O jogo consiste num tabuleiro, onde no centro ficam 6 torres e 6 muralhas. Em volta, tem 4 anéis. O mais perto das muralhas sendo dos espadachins, depois dos cavaleiros, arqueiros e por último a floresta. Esses anéis são divididos em 3 cores. Monstros vão surgindo na floresta ao final de cada turno de um jogador e vão avançando em direção às torres. O objetivo dos jogadores é destruir todos os monstros, permanecendo com pelo menos uma torre em pé. Os jogadores perdem se todas as torres forem destruídas. O jogo ainda possui cartas que servem para auxiliar os jogadores a destruírem os monstros, reconstruir as muralhas ou protegê-las, impedir que os monstros apareçam ou avancem.

Jogamos 4 vezes seguidas. A primeira e a segunda vez conseguimos ganhar. Na primeira partida começou tenso, logo perdemos 2, 3 torres. Mas no fim acabamos conseguindo matar todos os monstros e sobramos com 2 torres. Na segunda partida jogamos somente eu e a Dora. Já na terceira e quarta a Nina jogou novamente conosco e não tivemos sorte. Fomos aniquiladas pelos orcs, globins e trolls!
Ao final uma grata recompensa, ao ouvir a Dora dizer que amou o jogo!
Se elas não tiveram dificuldades em jogar, eu já tive bastante. Dosar a quantidade de influência que devo ter no jogo é muito difícil. O que chamamos de “jogador alfa”. Com certeza nesses primeiros jogos eu “mandei” de mais, mas espero que nos jogos futuros eu consiga deixar que elas tomem as decisões do que fazer, que carta trocar e com quem, se vale a pena descartar uma carta ou não.