Escrita por: Rodrigo Neves.

Sinopse do Jogo:
Em Giants, cada jogador é o líder de um clã na Era Dourada da Ilha de Páscoa. As plataformas de pedra representam bases sobre os quais os Moais eram construídos, sempre voltados de costas para o mar, olhando para o interior da ilha. O seu clã está competindo com os demais, e seu sucesso depende de construir e transportar Moais com mais eficiência. Os Moais que possuírem um Punkao, um tipo de chapéu cilíndrico colocado sobre suas cabeças, darão ainda mais prestígio para o seu clã.
Lançado em 2008 pela Matagot com uma produção de alta qualidade, Giants foi criado pelo designer Fabrice Besson. Projetado para grupos de 3 a 5 jogadores, é um jogo relativamente leve, muito bem estruturado e que leva de 1 h a 2 hs de partida.
Mecânicas:
- Construção de Rotas;
- Pegar e Entregar;
- Leilão.
Componentes:
Este jogo possui bastante componentes, guardados em uma bela e grande caixa. Além de uma excelente produção artística para acabamento da caixa, o insert de plástico é bem dividido e acomoda tudo com uma boa folga.
Temos diversas peças que representam moais, uma estátua característica da Ilha de Páscoa, em três tamanhos e tonalidades de cinza diferentes. Isto porque, a pontuação de prestígio do jogo vai variar de acordo com o tamanho dos moais levantados. No jogo existem os Punkaos vermelhos, um tipo de chapéu que pode ser colocado sobre as estátuas, para aumentar a pontuação delas.
Existe uma pilha com 30 “meia-tábuas Rongo-Rongo”, que em duplas, formam uma tábua completa. Estas tábuas mágicas podem ser “quebradas” durante o jogo, ato simbolizado de descarte de um par delas, oferecendo a vantagem de liberar o chefe tribal do jogador, para executar as mesmas funções de um sacerdote. Mais a frente veremos que isto é muito importante.
Existem dois mini-tabuleiros móveis, um para depósito dos Punkaos e outro para a fase do leilão dos moais. No início de cada rodada, um jogador deve rolar alguns dados para definir os tamanhos de moais disponíveis para possível aquisição.
Temos um conjunto de peças para cada um dos cinco jogadores diferentes, nas cores: azul, amarelo, vermelho, verde e roxo. Cada jogador tem direito a um biombo, trabalhadores, bases para construção dos moais, escudos tribais e uma bandeira da cor escolhida.
Vale ressaltar que, cada biombo, tem no verso um resumo completo do jogo, com bastante detalhe e totalmente iconográfico, ou seja, independente de idioma.
Entre os trabalhadores que os jogadores podem usar durante o jogo, encontram-se 6 trabalhadores comuns, um chefe tribal e um sacerdote. O tabuleiro do jogo é bem grande e um espetáculo à parte. A mesa fica linda ao final do jogo, quando grande parte dos moais e punkaos já se encontram construídos. Um detalhe bacana, é que até o verso do tabuleiro tem um acabamento caprichado e personalizado.
Além disto, o jogo possui seu manual traduzido em português pelo Marcelo Groo, participante ativo no hobby, com mais um excelente material a disposição aqui na Ludopédia.
Visão Geral:
No início do jogo, para o setup dele, devemos separar a quantidade de dados adequada ao número de jogadores, separar as reservas de moais e meia-tábuas no próprio insert do jogo, colocar os tiles de florestas virados para cima e preparar as reservas de punkaos e troncos no tabuleiro.
A área dos leilões é montada no canto superior direito do tabuleiro. Cada jogador receber seu escudo, bandeira, bases, chefe tribal, sacerdote, dois trabalhadores e dois escudos tribais. Todas as peças que sobram, dos jogadores no jogo e das cores que não foram usadas, vão para uma urna e misturados. O objetivo aqui justamente confundir a todos sobre a quantidade de peças faltantes de cada cor.
O jogador inicial, recebe seu marcador, um moai cujo punkao vem de fábrica colado, não sendo possível, separá-los.
Cada rodada consta de 5 fases: sorteio dos moais, leilão dos moais, colocação dos nativos, transporte/marcação dos moais e punkaos, e o final do turno/mudança do jogador Inicial. A princípio, rolamos os dados e colocamos os moais a disposição para o leilão do turno que inicia.
Para o leilão, cada jogador define quantos de seus escudos tribais serão usados em seu lance e os pega em uma mão fechada. Este lance determinará a ordem em que os jogadores escolherão os moais. Também será necessário escolher quantos dos seus nativos serão usados no lance e pegá-los na outra mão fechada. Estes nativos são chamados escultores. O jogador só poderá escolher um Moai, se tiver colocado um número de escultores igual ou maior que o tamanho do Moai desejado. Os jogadores abrem suas mãos simultaneamente, revelando seus lances e resolvendo o leilão. O chefe vale como 3 escultores.
Em seguida, vem a fase de alocação dos nativos. Neste momento o sacerdote é fundamental no jogo, pois é ele precisa ser acionado para diversas ações como: confeccionar punkaos, coletar troncos, reservar bases, coletar mais escudos tribais ou adquirir mais trabalhadores.
Importante: Um chefe tribal poderá executar qualquer ação de um sacerdote, se naquele turno uma de suas tábuas Rongo-Rongo for “quebrada”.
Para transportar um moai, é necessário tê-lo na sua reserva e colocá-lo na pedreira. Todos os moais do jogo sempre saem de lá. Em seguida, devemos escolher uma base livre para o destino. Quanto mais distante, mais pontos valerá a construção.
Será necessário criar uma rota de trabalhadores para levar o moai disponível até seu destino, e construí-lo sobre uma base da sua tribo, o que lhe dará pontos de vitória no fim do jogo.
Um ponto interessante aqui, é que a pontuação varia de acordo com a distância, e o tamanho do moai será usado, por um fator multiplicativo. Mas para carregar um moai de tamanho dois, temos que ter dois trabalhadores por casa em que ele deverá passar. No caso de um moai de tamanho três... fica mais difícil ainda. Para isto, o jogo oferece algumas soluções.
Primeiro, é possível usar a mão de obra dos trabalhadores de outras tribos em seu caminho, não podendo os demais jogadores negarem este apoio. Porém eles receberão, pontos de vitória por isto.
Segundo, o jogador pode completar a força de trabalho de casas com pelo menos um trabalhador presente, usando troncos de árvore. Este recurso é muito inteligente e temático, já que os troncos eram usados para a rolagem de peças muito pesadas. Troncos usados são perdidos no fim da rodada... use-os com sabedoria. O chefe também é mais forte aqui, podendo carregar um peso triplo!
Terceiro, é que um jogador não precisa levar um moai ao seu destino em uma única rodada. Ele pode deixar ele em algum ponto do tabuleiro e continuar na próxima rodada. Mas outros jogadores poderão tentar roubar ele. Para isto, podemos usar um escudo tribal e marcá-lo visando proteger a peça.
Também é possível levar um punkao até um moai já construído, por você ou por outro jogador. Ao ser colocado sobre a sua cabeça, este chapéu irá aumentar a pontuação delas.
A rodada termina quando todos os jogadores tiverem usado suas ações de nativos ou escudos tribais. Caso em que eles colocam sua bandeira no alto do biombo. Todos os trabalhadores e escudos usados voltam para seus jogadores, menos os que marcam moais pelo meio do mapa, senão eles ficam desprotegidos.
Quando um jogador conseguir construir um certo número de moais, conforme descrito no manual para a quantidade de jogadores, atinge-se a rodada final, e com o fim dela, o jogo termina.
Avaliação:
Giants é um lindo jogo, mecanicamente redondo, com temática trabalhada de forma primorosa e um conjunto artístico de primeira. Em suma: lindo, encantador e gostoso de jogar. É um jogo familiar, com um conjunto de regras de média complexidade. Não aconselhado como um gateway ao hobby, mas bastante interessante para levar jogadores já inseridos um segundo nível.
Por outro lado, as combinações de estratégias para conseguir aproveitar seus recursos e trabalhadores alheios, otimizando suas construções, mas evitando dar pontos demais aos adversários, pode ser uma tarefa muito mais dura do que a primeira vista ele transparece. Se jogado por um grupo mais competitivo, de heavy gamers, Giants pode se transformar em um leve brainburn. Um jogo deste tipo é fantástico, pois atente muito bem a públicos com objetivos diferentes. Na minha opinião deveria ser um jogo fundamental na prateleira de qualquer coleção.
Apesar de ser um jogo fora de linha e a algum tempo não produzido mais, no mercado internacional existem muitas cópias em leilões e mercados informais, sendo um jogo que mantém um valor de mercado surpreendentemente acessível.
Um jogo de arte belíssima, componentes de alta qualidade e que formam uma daquelas mesas lindas... de babar mesmo. É um jogo clássico de pickup and delivery, com mecânicas muito imersivas e coerentes... o uso de troncos, tipos diferentes de trabalhadores, leilão de Moais, rotas compartilhadas, pedreira... fantástico. É um jogo fácil de ensinar, intuitivo, mas que possibilita estratégias variadas. Recomendado.
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