AcemanBR::Eu descobri qual a maneira certa de jogar jogos de tabuleiro e divido com vocês neste vídeo:
Ou não.
Caro AcemanBR
Assisti ao seu vídeo, fiquei muito bem impressionado consigo, e lhe dou as mais altas congratulações.
Aliás, vou além e afirmo que você simplesmente não gravou um vídeo, mas sim literalmente leu o meu pensamento, e traduziu de forma muito elegante, concisa e apurada, exatamente aquilo que eu penso, em relação a essa questão da maneira certa de jogar, e quem é melhor jogador, coisas que, na minha opinião, não existem, ou pelo menos não fazem sentido algum.
Infelizmente, o cenário atual do board game nacional é bem desse jeito que você pontuou, e ainda existe muito preconceito, principalmente por parte de uma parcela dos jogadores de board game que preferem jogos euros, contra jogos festivos, jogos familiares, jogos cooperativos e ameritrash. O próprio termo ameritrash, ou “lixo americano” é uma clara demonstração desse tipo de preconceito, sem sentido. Como se gostar de euros pesados com alto grau de complexidade, milhares de componentes, diversas mecânicas envolvidas, uma miríade de regras, cujas partidas duram horas, fosse prova de uma inteligência superior. Obviamente não são todos os jogadores que curtem mais "euros", que pensam desse modo, mas muitos entre eles efetivamente pensam assim.
Por outro lado, eu, no meu cantinho, penso que não existe esse negócio de categoria ou tipo de jogo bom e tipo de jogo ruim. O que existe é jogo bom e jogo ruim, seja ele euro, amereitrash, festivo, familiar, etc. E mesmo isso ainda é amplamente discutível, porque existe jogo bom e jogo ruim, para mim, para o meu gosto pessoal, que pode não ter, e geralmente não tem, nada a ver, com o gosto de outra pessoa. Cada um gosta daquilo que gosta, e ninguém é melhor por isso, pelo menos em relação aos board games. Outros assuntos, onde isso pode fazer diferença, são outros assuntos.
Além disso, há um grande problema nesse raciocínio equivocado e preconceituoso, sobre o monopólio da virtude por parte dos jogos euros, fora o evidente equívoco e o preconceito. O caso é que, pensando em jogos bons, eu de repente olho para o lado, e vejo um jogo como o “Go”, que a priori parece ser de uma simplicidade quase infantil, afinal são apenas pedrinhas pretas, pedrinhas brancas e um tabuleiro quadriculado, mas que é um verdadeiro colosso de jogo. Isso para não citar o seu altíssimo nível de complexidade, uma infinidade de possibilidades tático-estratégicas, que é jogado e principalmente estudado por milênios, e ainda assim, envolve apenas pedrinhas pretas, pedrinhas brancas e um tabuleiro quadriculado.
Para terminar, não posso deixar de comentar, que reza a lenda, ou pelo menos é o que eu ouvi dizer algures, que Tom Vasel, uma verdadeira autoridade, muito respeitado dentro do mundo dos board games, do igualmente prestigiado canal “Dice Tower”, que é incensado por quase toda a comunidade boardgamer mais “hardcore”, digamos assim, adora e curte muito o “King of Tokyo”, que é um jogo com altíssimo grau de sorte e aleatoriedade. Justamente pelo uso desse fator sorte, o “King of Tokyo” é visto com muita desconfiança por essa mesma rapaziada, que idolatra o sujeito que adora o jogo, que eles tanto desprezam (pois é meus amigos, Tom Vasel também gosta de jogo com rolagem de dados).
De todo modo, mais uma vez, meus parabéns pelo vídeo. Você acertou “na mosca”.
Um forte abraço.
Iuri Buscácio
P.S. Como dizia Erasmo Carlos, se o simples fosse fácil, já teriam feito outro “parabéns para você”.
Primeiramente, parabéns pelas reflexões.
Para mim, correndo o risco de ser clichê, a maneira certa de jogar é aquela que nos diverte. Seja jogando Gloomhaven, Zombicede ou Uno. O que vale são as risadas, os amigos em volta da mesa e uma zoação de leve, desde que ninguém se machuque com isso.
Entendo que jogar um boardgame é uma atividade essencialmente social, seja um jogo cooperativo, seja um jogo competitivo. E como gosto pessoal, prefiro os jogos que mantém todos interessados até o final, sem ter certeza de quem vai levar a vitória. Seja um 7 Wonders, Puerto Rico ou Agrícola. Nessa esfera, especialmente os cooperativos, pois a imersão da galera na mesa, tentando eliminar todas as doenças no Pandemic é simplesmente sensacional, mesmo quando tudo parece perdido. Adoro jogos mais complexos, jogos casuais ou jogos de sorte, contanto que esteja rodeado de bons amigos.
Ah, e também aqueles jogos solo, pois nos ensinam a curtir a companhia de nós mesmos.
É isso, continue fazendo mais reflexões do tipo, ótimo vídeo.
E para os preconceituosos de plantão um recado: não há problema em gostar mais de um tipo que de outro, o problema é pensar menos de quem tem gosto diferente do seu.
Abraços!
Legal o vídeo.
Sempre gostei de jogos de dados porque seria o mais próximo da realidade. Exemplo, jogos que simulam batalhas tem que ter algum sistema de aleatoriedade para representar o que acontece na realidade, como engasgar a arma, errar o tiro, etc. Não existe ato, ou, fato da vida que não dependa de um pouco de sorte e o melhor método para implementar isso no tabuleiro é com dados, ou, sistema de gerenciamento de mão e cartas.
Gosto muito de euro, mas aquele euro sem sorte parece meio artificial as vezes. É por isso que a preferência de cada um sobre os jogos não pode gerar preconceito sobre outros. Gosto de TI4 assim como gosto de caylus sendo que no primeiro há aleatoriedade e dados e no segundo é um eurão puro.
Valeu pelo incentivo e pelas ideias, pessoal! Fiquei muito feliz com o feedback e espero que continuemos a pensar juntos!
iuribuscacio::P.S. Como dizia Erasmo Carlos, se o simples fosse fácil, já teriam feito outro “parabéns para você”.
Hahaha! Adorei essa frase! Muito obrigado pelo texto @iuribuscacio! Deu pra sentir a conexão das ideias nas palavras e no empenho para escrever o texto!
RJCL::Muito bom. Eu procuro jogar todos os meus jogos da coleção, e dou prioridade aqueles que estou a muito tempo sem jogar.
Obrigado, @RJCL! Eu tento tirar os meus das caixas todo ano, mas admito que alguns estão lá mais por apego emocional mesmo.
DouglasDrumond::E para os preconceituosos de plantão um recado: não há problema em gostar mais de um tipo que de outro, o problema é pensar menos de quem tem gosto diferente do seu.
Exatamente @DouglasDrumond! O importante é deixar as pessoas serem felizes com o que as apetece! Até porque às vezes nem eu sei porque eu gosto ou não de um jogo. Não tem receita de bolo.
arthurtakel::Legal o vídeo.
Sempre gostei de jogos de dados porque seria o mais próximo da realidade.
Valeu @arthurtakel! Eu sempre achei dado a melhor ferramenta pra randomizar. Acho muito mais emocionante do que virar uma carta de um deck embaralhado, por exemplo! Curti muito a ideia de falar de como o jogo simula situações reais. Vou colocar na lista de ideias para vídeos do canal!
AcemanBR::Eu descobri qual a maneira certa de jogar jogos de tabuleiro e divido com vocês neste vídeo:
Ou não.
Realmente, não existe jeito errado de jogar. Mesmo o pessoal jogando Uno destrambelhado e quebrando todas as regras para transformar o Uno(que já não é o primor do game design moderno) em uma roleta-russa, mas se todo mundo da mesa fica feliz, então funciona.
A única coisa que acho relevante adicionar é que há uma boa diferença dos jogos clássicos para os modernos. Os jogos modernos costumam entregar o mesmo prazer, ou até mais, sem vários dos problemas dos jogos clássicos. Claro que podemos transportar areia com as mãos ou vasilhas, mas depois da invenção do carrinho de mão (ou carriola) é interessante apresentar para as pessoas as opções. No meu tempo eu prefiro usar carrinho de mão, e entendo que cada um faz como achar conveniente, por nostalgia ou qualquer razão que deseje, não é da minha conta nem devo julgar. Só acho importante que conversemos abertamente sobre as opções disponíveis. Tem gente que fica raivosa se falamos sobre os jogos da infância dela, são um tabú incomentável, sob o risco de nos queimarem na fogueira. Nem sempre é maldade discutir algo, apenas uma apresentação das outras alternativas que existem.