Existe uma máxima amplamente aceita de que filmes baseados em jogos de computador são, na melhor das hipóteses, não bons, e com frequência completamente terríveis. Inclusive, uma busca rápida no Google revela uma lista de top 35 em que é “Ranqueado do Menos Ruim ao Pior Absoluto”. Você pegou a ideia. Entretanto, jogos de tabuleiro baseados em jogos de computador são geralmente muito bons: sim, as mídias são mais parecidas, mas ainda assim tem alguns títulos por aí que são altamente conceituados, incluindo
XCOM: The Board Game* (FFG),
Jetpack Joyride (Lucky Duck),
Jagged Alliance: The Board Game (Underground Games). Jogos de computador mais antigos não se saíram tão bem, com
Super Motherload [sic] (conhecido como Dig Dug) o melhor que já joguei...até agora. Você não consegue algo muito mais clássico do que Space Invaders e é daí que
Under Falling Skies tira sua inspiração.

Under Falling Skies iniciou como um micro-jogo de nove cartas no formato imprima & jogue; agora é uma produção pesada da Czech Games Edition em uma caixa um pouco maior que do seu carro-chefe
Código Secreto com arte de Kwanchai Moriya e Petra Bohacek. Ao abrir a caixa, você é advertido para não jogar tudo fora já que tem um pacote de campanha guardado embaixo do jogo principal. Dizer “jogo principal” já tem valor suficiente...mas a campanha vai, francamente, muito além! O cuidado com o consumidor é estendido na forma de um QR code que leva para um vídeo com instruções de como jogar, apesar de percebermos que o manual ainda era frequentemente referenciado durante as primeiras partidas.
Na sua essência, Under Falling Skies de Tomas Uhlir é um jogo de linha de defesa no qual naves de alienígenas hostis caem de sua nave-mãe que desce devagar pelos quatro tabuleiros modulares que viram o lado de acordo com o nível de dificuldade ou ameaça escolhida. Estes tabuleiros têm espaços que aceleram a nave-mãe, deslocam os hostis pela esquerda ou direita, ou te dão a chance de atirar neles com seus aviões de caça. Cada cidade modular – Nova Iorque, Washington ou, apropriadamente, Roswell, no jogo base – é defendida por uma barragem de cinco canhões e abaixo tem uma base subterrânea na qual você coloca seus cinco dados. A base deve ser escavada mais profundamente para aumentar suas habilidades e suas opções.

Os três dados cinzas e os dois brancos quando rolados devem ser alocados um por faixa; colocar um dado branco força uma rerolagem de qualquer um dos dados remanescentes. As salas desencadeiam efeitos: o canhão desacelera os hostis em 1; sala do gerador reabastece sua energia; aviões de caça derrubam todos os hostis em espaços de explosões de um valor igual ou menor; fábricas de robôs te dão um dado extra; e os laboratórios avançam sua pesquisa sobre alienígenas, que é como você ganha o jogo. Quando você coloca um dado, hostis naquela faixa descem um número igual em espaços; se eles acertarem a cidade, a cidade leva um dano; se a cidade levar muitos danos ou a nave-mãe descer demais, é hora de brindar pelo fim do mundo.

Embora as mecânicas do jogo não sejam complicadas, têm várias decisões interligadas que precisam ser feitas em relação à colocação daqueles cinco dados: a regra de “um por faixa” é crucial para construir pressão e é preciso uma boa quantidade de planejamento antes de colocar o primeiro dado. Assim como custar energia, os espaços na base podem ajustar o valor rolado do seu dado para cima ou para baixo, e enquanto seis são ótimos para melhorar sua pesquisa ou explodir uma onda de hostis, lembre-se de que colocar este dado irá também fazer com que os hostis fiquem seis espaços mais perto naquela faixa...O setup inicial no manual te dá a preparação mais fácil, te dando uma falsa confiança para quando você tenta um nível de ameaça três ou quatro.
A modularidade deste jogo é um grande a mais: enquanto a experiência tem um sabor parecido a cada partida, ela é apimentada com o ajuste dos níveis de ameaça, os poderes das cidades e as salas da base escolhidas. Eu devo admitir, nesta era de tabuleiros que têm duas faces [frente e verso] eu teria gostado de ter uma estrutura para segurar as seções modulares já que elas tendem a ficar se movimentando um pouco, mas eu estaria sendo ganancioso.

Tendo curtido algumas partidas independentes, eu comecei muito empolgado a campanha: o mínimo de sete partidas que aumentam a ameaça dos alienígenas durante quatro capítulos, com um pouco de narrativa e quadrinhos também. É claro que tem bastante ajustes e novas regras no meio do caminho, todos que podem ser usados para partidas no futuro fora da campanha. A campanha foi compulsivamente viciante, apesar de a pontuação parecer um pouco estranha, com as habilidades de one-shot não valendo tanto assim para o nível da ameaça. Não é fazer nenhum spoiler ao dizer que na minha campanha Londres caiu, mas Singapura celebrou seu dia da Independência.
O desenvolvimento de Under Falling Skies é a história do pequeno micro jogo que cresceu: das suas restrições iniciais à sua caixa de chamar atenção, eu estou realmente impressionado com o que aconteceu aqui. Embora, o “1+” jogadores me parece um pouco insincero: você até pode alternar os turnos se você quiser, mas este é, na verdade, um jogo solo. Talvez a única coisa negativa seja o grau de repetição, mas se houver experiências em jogos que valem a pena serem repetidas algumas vezes, este jogo é definitivamente uma delas.
Escrito por David Fox
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Nos posts do Board's Eye View vocês podem visualizar fotos 360º...
Traduzido** por Nanda Sales (
fsales)
Nota da Tradutora:
*O jogo XCOM foi trazido ao Brasil pela Galápago Jogos, em 2015
**Todas as traduções são autorizadas pelos autores originais do texto
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