Conspiracy: Abyss Universe – Supremacia Submarina!
Título: Conspiracy: Abyss Universe (2019)
Designer: Bruno Cathala; Charles Chevallier
Arte: Pascal Quidault
Editora nacional: Buró
Nº de jogadores: 2 a 4
Conspiracy: Abyss Universe é um jogo rápido, compacto e bonito, que irá provocar dúvidas e testar a ganância dos jogadores. Com uma mistura de force sua sorte e coleção de componentes, Conspiracy: Abyss Universe consegue apresentar um jogo sólido, muito interativo e cheio de escolhas para os jogadores, através de uma mecânica extremamente simples e um balanceamento virtualmente perfeito.
(Fonte: Imagem da internet)
Critérios
Ø Arte
As ilustrações de Pascal Quidault são lindas, sendo provavelmente a mais bem trabalhada entre os jogos que já fez (como Splendor ou T.I.M.E. Stories). O jogo apresenta uma paleta de cores sóbria, com traçados extremamente realistas, mesmo se tratando de seres aquáticos fantásticos.
É possível ver uma riqueza de detalhes nas feições e em cada detalhe, e entendo que tentaram passar a ideia de ‘véu obscuro das profundezas abissais’, porém as cartas acabaram ficando um pouco mais escuras do que deveriam, o que acarreta em uma perda visual quando o ambiente que os jogadores estão não é bem iluminado. Isso também impacta na leitura dos ícones de pontuação nas cartas, principalmente se usados sleeves (os plastiquinhos que protegem as cartas) que acabam criando reflexos devido à iluminação.
A iconografia do jogo é simples e direta, e depois de recorrer uma vez ao manual para tirar alguma dúvida, é possível decorar facilmente. Além disso, o jogo é completamente livre de textos.
O jogo não possui tabuleiro, nem peões, nem nada do tipo. Apenas cartas e pequenas fichas. Fichas essas bem simples, e que, na verdade, estão lá para facilitar a visualização dos jogadores em relação a alguns elementos, mas não tem real importância, sendo possível jogar mesmo na ausência delas.
Ø Qualidade dos Componentes
A primeira coisa a se comentar é a primeira coisa a qual temos contato: A caixa. Trata-se de uma pequena caixa de metal, com tampa em alto relevo, com uma das cinco facções presente no jogo. Uma das facções, pois existem 5 tipos diferentes de tampas, com arte e cores diferentes (reforçando: O conteúdo é exatamente o mesmo, só muda a tampa mesmo). O metal da caixa é de excelente qualidade, com uma impressão excelente. A caixa não possui nenhum tipo de berço ou insert, porém comporta tudo dentro, mesmo as cartas com sleeves, porém dá a altura na conta (se lançarem expansões com novas cartas, sem chance de caber na mesma caixinha).
As cinco artes de caixa existentes!
As cartas, tanto as maiores (quadradas) como as menores, são de excelente gramatura, porém recomendo o uso de sleeves, uma vez que elas possuem a parte de trás escura (o que facilita ficarem machucadas e marcadas). Particularmente, não sou muito fã de cartas onde a parte de trás (fundo) possui uma orientação (leia: Um lado ‘para cima’) e Conspiracy: Abyss Universe, é um jogo desses, logo você perderá alguns segundos arrumando as cartas (ou precisará aprender a lidar com o TOC como eu!) – porém neste jogo NÃO conseguir reconhecer as cartas no baralho é fundamental, logo é necessário que elas fiquem o mais homogêneas possíveis quando embaralhadas. Sei que isso parece um detalhe bobo, mas perdemos sempre algum tempinho arrumando as cartas antes da partida.
O jogo ainda possui alguns marcadores pequenos, todos de boa gramatura e que servem, basicamente, para ajudar na visualização, não sendo realmente fundamentais como elementos do jogo. Aqui vale o elogio à produção, pois o jogo poderia vir sem tais marcadores. Porém, não vamos elogiar demais, afinal eles são REALMENTE pequenos, além dos ‘Marcadores de Brasão’ (usados para os jogadores marcarem sua carta de cada facção de maior valor) serem escuros e da cor das cartas, facilmente se camuflando sobre elas – perdendo até um pouco sua funcionalidade.
O manual é muito bom, informativo, direto e repleto de exemplos. Não consegui detectar nenhum erro de tradução ou digitação (no primeiro contato me assustei com a quantidade de páginas... dai percebi que uma metade era em português e a outra em espanhol ...Acontece! hahaha).
Uma coisa que faz falta é um bloquinho para marcar a pontuação final, afinal são diversos itens a se somar (calma, mas não se desespere: Na parte ‘Arquivos’ do jogo na Ludopedia você já acha um desses feito por quem vos escreve!).
Ø Curva de Aprendizagem
O jogo é extremamente simples: No seu turno você pega todas as cartas de uma cor abertas no descarte OU abre de 1 a 3 cartas fechadas, fica com uma e descarta o resto. Pronto. Simples. Fácil. Prático. Agooorraaaa, o que você vai fazer é onde está todo charme e dificuldade na curva de aprendizado do jogo. Isso, pois seu descarte fica à disposição do adversário, logo escolher abrir mais cartas para ter melhores chances em seu jogo pode ser tão benéfico (ou mais) para seu adversário. Este é um jogo, portanto, onde a dificuldade está em fazer uma leitura adequada das porcentagens nas cartas do baralho e na astúcia dos jogadores.
Ø Presença de Tema
A verdade é que apesar do jogo ter uma arte linda, feita para valorizar o jogo (e valoriza muito mesmo), ele não tem um tema forte. Podemos dizer que as cartas formando uma pirâmide de ponta cabeça simboliza as cadeiras na câmara do senado? Podemos. Isso cola? Se entrar na ideia e mundinho do jogo, cola, mas se você é daqueles que gosta de sentir o tema através das mecânicas e elementos do jogo, não cola (ou cola, mas com cola que não é a prova d’agua, logo...). As cartas possuem elementos como “chaves” e “pérolas” que remetem bem ao jogo Abyss original (para quem não sabe, Conspiracy: Abyss Universe seria uma versão de cartas, mini, pocket, do jogo Abyss (2014) dos mesmos autores), mas no fundo o jogo poderia ser de qualquer tema ou mesmo um completo abstrato.
As cartas de Lordes (quadradas), Territórios (retangulares minis) e fichas de Brasão.
Ø Rejogabilidade
Mecanicamente o jogo nunca muda. A estratégia também não muda muito entre uma partida e outra. O que muda são as opções que se apresentam para os jogadores devido a ordem das cartas que são abertas.
Pode parecer, e alguns vão falar isso e não tiro sua razão, que o jogo após um tempo pode se tornar repetitivo, porém é incrível como EU não consegui enjoar dele e estou ansioso para mais uma partida (inclusive as vezes que o joguei, joguei repetidas vezes seguidas). Credito isso ao fato do jogo ser extremamente interativo e rápido, não o deixando monótono, onde cada nova carta comprada traz a emoção da revelação. Conspiracy: Abyss Universe é um jogo tático que quase passa um sentimento de jogo festivo, devido à interação e comoção da galera na mesa e isso acaba dando ao jogo um bom fator de rejogabilidade.
Ø Interação
Já escrevi aqui mais de uma vez: O jogo é altamente interativo. Inclusive ele funciona muito bem pois a mecânica dele depende e força essa interação. Quando um jogador abre duas ou três cartas do topo do baralho, ele escolhe uma carta e as sobressalentes irão para a mesa, podendo ser compradas pelo adversário. Isso cria um sentimento de “Carambolas, se pegar essa é boa pra mim, mas dai desço essa e é melhor ainda pro meu adversário!”.
É possível jogar sem interação, apenas pegando uma carta do topo do baralho? Sim, é possível, porém isso irá atrapalhar seu jogo, pois irá depender total e exclusivamente da sorte, e quando seu adversário arriscar, ele certamente terá uma taxa de sucesso muito maior, logo pontuará mais, por ter agido de forma mais consciente e controlada.
Ø Fator Sorte
Este critério é um tanto controverso, pois a sorte existe – mas seu impacto depende diretamente das ações do jogador. Ele pode jogar completamente refém da sorte, pegando uma carta por vez do topo do baralho ou pode mitigar essa sorte, ao pegar duas ou três cartas e ficar com uma, porém isso tem um custo alto, pois ele irá abrir mais opções para o adversário (principalmente pelo fato de cores repetidas serem compradas de uma só vez do descarte).
Ø Fator Estratégia
Bruno Cathala é conhecido por jogos de todos os gêneros, desde os mais estratégicos como Five Tribes e Cyclades, como os mais familiares como Jamaica e Kingdomino. Conspiracy: Abyss Universe consegue trazer um pouco de cada universo explorado pelo designer. O jogo depende muito de um plano estratégico a longo prazo desde as primeiras rodadas, como: “Qual facção tentarei fazer a coalizão?”, ao mesmo tempo que escolhas imediatas são sempre necessárias, como: “Será que pego mais pérolas ou tento fechar um território?”.
Uma coisa que senti é que o jogo passa diferentes sentimentos táticos com diferentes números de jogadores. Enquanto com dois jogadores temos um jogo mais controlado, onde conseguimos até mesmo planejar a compra de cartas do descarte no futuro (com base no que achamos que o adversário irá fazer) e sabemos que dificilmente todas as cartas do baralho irão entrar em jogo, temos em partidas com três e quatro jogadores um jogo mais aberto, onde dificilmente o que descartamos voltará para nós e o baralho sempre se esvai quase todo, nos dando uma contagem percentual sobre as cartas mais precisa ao final da partida.
Uma característica interessante é que as cartas de cada facção são numeradas de 0 a 6, mas não existe valor 5; e elas existem em diferentes quantidades (um 0, quatro 1, dois 2, dois 3, dois 4 e um 6). Esta característica traz ao jogo um balanceamento matemático incrível, pois cada carta de valor mais alto, além da raridade de aparecer, possui uma habilidade mais fraca (o 6, por exemplo, apesar de dar uma bela quantia de pontos, imediatamente abre uma carta do topo do baralho no descarte – ajudando o adversário). Além de matematicamente genial, isso adiciona ao jogo um peso tático, pois temos que aprender a ler a mesa e as probabilidades, afinal, por vezes é mais vantajoso não pegar uma carta de valor maior, abrindo mão de uma pontuação imediata, para fazer uso de uma habilidade que irá pontuar mais – e de outra forma – no futuro.
Posso dizer que Conspiracy: Abyss Universe consegue equilibrar o Fator Sorte com o Fator Estratégia de uma forma raríssima de se ver, principalmente se levarmos em conta que o jogo conta com uma mecânica principal extremamente simples.
Opinião da galera da Sociedade dos Boards!
“Este certamente foi o jogo que mais partidas acumulei em menos tempo de aquisição. É incrível como uma mecânica tão simples de seleção de cartas, agregada a bons elementos, conseguiu alcançar. O jogo é rápido, te força a escolhas pra você e para os rivais, têm force sua sorte, coleção de componentes, uma arte linda, é compacto (cabe quase que no bolso na jaqueta) e roda rápido. Claro, ele tem a presença de sorte (algo que não sou muito fã) na revelação das cartas, porém como ele é rápido, dá para jogar duas, três, quatro partidas e somar a pontuação total, sendo assim uma maré de azar não irá impactar muito no contagem total. Acredito ser o Jogo do Ano de caixa pequena para mim, quem sabe não esteja no TOP5 de todos os tempos nesta categoria.”
(Raphael Gurian – O Jogador de amarelo)
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“Conspiracy: Abyss Universe é um jogo de cartas, particularmente, do meu tipo favorito. O que mais curti foram: O fato de ter coalizões a serem formadas (conjuntos sequenciais de uma mesma cor) em forma de pirâmide o torna bem estratégico, afinal você quer ganhar mais pontos, mas ao mesmo tempo deve pensar se você não estará fortalecendo mais ainda o coleguinha; A regra de colocação ajuda a dar ótimos bloqueios, o que força o adversário a comprar cartas que no final podem ser boas pra você; O fato das diferentes habilidades nas cartas, aliada às cores é bem interessante. Várias vezes comecei pensando em focar em uma cor, mas tive que mudar de estratégia no meio do caminho, por diversos motivos externos. É um jogo simples e rápido, de uma forma geral, achei super bom e jogaria por horas sem perceber!”
(Bruno Almir)
Um texto de Raphael Gurian
Sociedade dos Boards
A ideia deste formato de análise não é explicar um jogo, para isso existem muitos outros textos, vídeos e etc. A finalidade do texto é fazer uma análise crítica acerca de critérios que acho importante e que muitas vezes acabam não sendo explorados em textos de análise de uma forma mais detalhada e imparcial .
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