No embate cult of the new ("culto ao novo") vs. cult of the old ("culto ao clássico"), consigo enxergar três principais vertentes:
1) O jogador que busca as novidades, os lançamentos badalados do ano, os jogos que possuem temas atuais e que, por si só, já geram um grande hype e possuem um alto alcance comercial em virtude do poder de marketing e da facilidade de acesso a eles;
2) O jogador mais antigo, que corre atrás dos clássicos, paga fortunas por jogos fora de catálogo há anos, e se aprofunda na obra dos designers já consagrados e nas principais mecânicas;
3) O jogador intermediário, que busca jogos antigos e clássicos, principalmente aqueles difíceis de serem encontrados, mas que não deixa de acompanhar o mercado e permanece antenado nos principais lançamentos do ano.
Eu me enquadro na terceira categoria: desde que "descobri" o hobby, iniciei uma busca frenética por jogos consagrados, clássicos, tentando correr atrás do "tempo perdido" e aprofundar nas mecânicas, enfim, entrando de cabeça nesse mundo tão cativante. Por outro lado, sempre fiquei atento às novidades e aos lançamentos mais comentados, principalmente quando se trata se um autor já consagrado.
Todavia, percebo uma forte prevalência dos jogadores da primeira categoria, aqueles que começaram no hobby há pouco tempo e não possuem a mínima intenção de se aprofundarem. Conhecem um ou outro jogo já consagrado, como
Puerto Rico, por exemplo, em virtude da facilidade de acesso, mas esse conhecimento verticalizado do hobby não passa de meia dúzia de títulos, enquanto a maior parte da coleção é formada por jogos muito recentes (que, é claro, não são necessariamente ruins). Essa constatação é reforçada pela rapidez em que o ranking do BGG tem se alterado de uns tempos para cá, pois há poucos anos apenas alguns títulos excelentes alcançavam o Top 50, enquanto atualmente inúmeros jogos com poucos meses de lançamento já atingem uma posição invejável.
Dito isso, deixo a questão (que não tenho a resposta): qual é a importância de se conhecer os clássicos? Qual é o equilíbrio exato? É fundamental que os jogadores novatos conheçam os grandes designers e jogos antigos conceituados, ou não há necessidade de aprofundamento? Somente os novos lançamentos são suficientes para formar uma coleção variada e de qualidade? Quais os benefícios e malefícios do cult of the new e do cult of the old, em suas concepções extremadas? Em qual das três categorias acima você se enquadra?
Importante ressaltar que não estou apenas citando clássicos euros, mas clássicos do ameritrash, os clássicos party games, os family games antigos vencedores de prêmios, enfim, os clássicos já consagrados dentro da categoria em que o jogador se enquadra (não, não sou um sommelier dos board games!).
